segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Hoje o dia não foi muito bom...


Passei por cima das regras de tomar o remédio: tomar e dormir! Acho que me dei mal nessa. Tomei o comprimido as 23h e fui dormir pelo menos as 3h da manhã. Como a minha médica disse, me senti um drogado, um bêbado rsrs
Mas sabe que foi um tanto quanto "engraçado"? Ah vai, tenho que fazer graça de algumas coisas, por favor né.
Meus amigos estavam bebendo todas e eu nada por causa do medicamento. Na verdade eu já tinha tomado a "minha bebida" e estava tão tonto quanto cada um que estava sentado ao redor daquela mesa.

Quando acordei, não foi muito legal, não. Fiquei meio fraco o dia todo, me sentindo mal, não sei explicar muito bem e nem afirmar se isso tem relação com o fato de ter dormido pouco, ou com o remédio - em breve saberei.

Já está na hora de tomar meu banho, me trocar, botar uma roupa bem bacana e correr pra aula.

sábado, 14 de novembro de 2009

Coquetel

Comecei a tomar o coquetel há 2 dias - acabei de tomar um comprimido. Tive muito medo por causa dos efeitos colaterais que eu poderia ter: vertigem, tonteiras...o recomendável é tomar e domir, por isso tomo as 23h.
"Tudo bem, dorme e acorda bem" - Não, não! Eu poderia acordar no meio da noite, ter um sono agitado, ver "coisas"... não tive nada disso ainda e espero não ter. Mas hoje eu fiquei o dia todo com tonteira, parecia que eu estava à beira de mais uma crise de labirintite (já tive alguma vezes, é horrível). Mas nada como um cochilo na parte da tarde para melhorar.

O início

Como no livro “Depois daquela viagem” (POLIZZI, Valéria), a minha vagem também foi desastrosa. Depois de uma temporada fora da minha casa, eu retorno já doente, com 5kg abaixo do meu peso ideal. As únicas coisas que passavam pela minha inflamada garganta eram água e banana amassada.
Desembarquei na minha cidade e fui direto para o hospital, onde recebi diversos pedidos de exames, menos o que constataria o HIV. Mas daí tudo bem, não fiz nenhum deles. Em casa eu tomei remédios, fui melhorando, melhorando...fiquei ótimo!
Sempre tive medo de adquirir essa doença. Sempre tentei me cuidar ao máximo, apesar de não parecer, mas sempre confiei muito fácil em qualquer pessoa que estaria ao meu lado – uma contradição, não é mesmo? A ingenuidade me atrapalhou.
Desde quando peguei o vírus, sentia que o meu corpo falava comigo, não sei explicar como. Esse pensamento não saia da minha cabeça. Eu sentia calafrio alternando com calor. Eu sonhei pelo menos 2 vezes que tinha feito o exame – uma delas, inclusive, deu negativo.
Cerca de 7 meses após o vírus fazer parte da minha vida sem eu saber, eu descobri, finalmente, que o meu nome passou a fazer parte das estatísticas dos portadores do HIV. Foi um choque, uma dor que remédio algum poderia aliviar. Cheguei a pensar que Deus não existia mais para mim, mas nunca deixei de lembrar que eu fui o culpado por tudo isso. Cazuza nunca esteve tão próximo de mim. Meus sonhos foram implodidos mas sem deixar nem os cacos. Carros, empregos, bom salário, reconhecimento do trabalho... Como num filme, ví tudo isso passando pela minha frente e as minhas mãos, estendidas, já não conseguiam alcançar mais. Tudo ficou distante da minha nova realidade. Foram dias após dias de muito choro, de desespero, de medo...me lembro quando tive medo de fechar meus olhos para dormir e não acordar mais.

Enfim, me deparei um mundo novo onde, com um vocabulário formado de novas palavras que passariam a ser, em pouco tempo, normais (infectologista, CD4, carga viral, etc etc)...

E por aí vai, e por aí foi. Hoje, após 3 anos da descoberta do vírus por todo o meu corpo, vivo bem, vivo feliz, com Deus no coração. O resto, é lucro.

Saúde e paz